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#1
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A Quem Possa Interessar
XI
Trinta raios convergem para o meio mas é o vazio do centro que faz avançar o carro. Molda-se a argila para fazer vasos, mas é do vazio interno que depende o seu uso. Uma casa é fendida por portas e janelas, é ainda o vazio que a torna habitável. O Ser dá possibilidades, mas é pelo não ser que as utilizamos. Ou noutra tradução: 11 Trinta raios formam uma roda Mas é do interior da roda Que o uso da carruagem depende Usa-se argila para moldar um vaso Mas é do seu oco interior Que o vaso se torna útil Portas e janelas são recortadas Para embelezarem uma sala Mas é do espaço vazio do seu interior Que a utilidade da sala depende Portanto Embora o Ser pareça importante É o Não-Ser que se torna realmente Decisivo Lao Zi - Tao Te Ching O livro de Tao O Caminho e a sua Virtude Livro da Via e da Virtude Tao significa Caminho. Mas, dado o modo como Lao Zi (Lao Tse) usa a expressão, ninguém a pode traduzir como caminho, ou fé. Na língua chinesa existem duas palavras para Caminho. Uma é Lu, produto da combinação dos símbolos para perna e cada. E por isso associa-se simplesmente ao andar. O outro vocábulo para caminho é TAO, derivado da combinação dos símbolos para cabeça e seguir, e significa o caminho que conduz a um objectivo, direcção, ou um percurso determinado. Parece que este simbolo foi primeiramente usado para indicar o percurso astronómico das estrelas. |
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#2
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arquitectura?
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#3
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Sendo a fonte a mesma
7
O Céu e a Terra são perenes E porque são perenes o Céu e a Terra? Porque não existem para si próprios Por isso viverão eternamente Assim Tao se mantém na rectaguarda E todavia, sempre à frente está de tudo. Apaga-se a si próprio, mas perdura E é por se alhear de si mesmo Que é eterno |
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#4
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António Variações
Quando a cabeça não tem juízo
Quando te esforças Mais do que é preciso O corpo é que paga O corpo é que paga Deix'ó pagar, deix'o pagar Se tu estas a gostar... Quando a cabeça não se liberta Das frustrações, inibições Toda essa forca, que te aperta O corpo é que sofre As privações, mutilações Quando a cabeça esta convencida De que ela é A oitava maravilha O corpo é que sofre O corpo é que sofre Deix'ó sofrer, deix'ó sofrer Se isso te da prazer... Quando a cabeça esta nessa confusão Estas sem saber que hás-de fazer E ingeres tudo o que te vem à mão O corpo é que fica Fica a cair sem resistir Quando a cabeça rola pró abismo Tu não controlas esse nervosismo A unha é que paga A unha é que paga Não paras de roer Nem que esteja a doer... Quando a cabeça não tem juízo E te consomes, mais do que é preciso O corpo é que paga O corpo é que paga Deix'ó pagar, deix'ó pagar Se tu estas a gostar... Deix'ó sofrer, deix'ó sofrer Se isso te da prazer... |
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#5
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Nước (Água)
A água é tudo.
A água é a vida, límpida, em cascata em remanso de luz. A água é como o ar: o pão do mundo. A água é necessária em cada casa, nos campos, nos bosques em qualquer sítio e a todas as horas e é um emblema de pureza. Encarna o imprescindível, o que urge. A água é a razão da sede: bebemos porque somos água e ansiedade. Bebemos porque vivemos. A água como o ar a dignidade ou o amor nos iguala a todos. Este fórum não poderá deixar de meditar sobre a água em todas as suas variantes. A água fecunda-nos e sustem-nos: é a matéria central de todas as regiões e de todos os homens, o coração do provir. Talvez mais que nada somos todos água. Por isso é inconcebível que 1.100 milhões de pessoas não tenham água potável… LXXVIII Nada é mais flexível do que a água, Mas para vencer o que é duro e forte, nada a ultrapassa E nada poderia substituí-la. A fraqueza vence a força; A flexibilidade vence a dureza. Todos o sabem Mas ninguém o consegue por em prática. Última vez editado por Filipe Leite de Sousa : 31 outubro 2008 as 17:46. |
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#6
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Tema da Aula de 30 de Outubro
33
Aquele que conhece bem os outros Pode-se considerar sagaz Aquele que se conhece bem a si próprio Considera-se inteligente Aquele que domina os outros Considera-se fisicamente forte Aquele que se conquista a si próprio Considera-se poderoso Aquele que se modera é rico Tem força de vontade quem é persistente Aquele que não perde o equilíbrio Perdurará |
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#7
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É mesmo isto
Como é o que ando a "pregar" á anos , com a devida vénia cá vai:
Última vez editado por Filipe Leite de Sousa : 26 novembro 2008 as 15:10. |
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#8
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O Infante
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma, Que o mar unisse, já não separasse. Sagrou-te, e foste desvendando a espuma, E a orla branca foi de ilha em continente, Clareou, correndo, até ao fim do mundo, E viu-se a terra inteira, de repente, Surgir, redonda, do azul profundo. Quem te sagrou criou-te portuguez.. Do mar e nós em ti nos deu sinal. Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. Senhor, falta cumprir-se Portugal! FP Última vez editado por Filipe Leite de Sousa : 22 novembro 2008 as 20:04. |
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#9
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Mar Portugês
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar! Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador Tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu. FP Última vez editado por Filipe Leite de Sousa : 22 novembro 2008 as 20:05. |
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#10
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Nevoeiro
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser Este fulgor baço da terra Que é Portugal a entristecer — Brilho sem luz e sem arder, Como o que o fogo-fátuo encerra. Ninguém sabe que coisa quer. Ninguém conhece que alma tem, Nem o que é mal nem o que é bem. (Que ânsia distante perto chora?) Tudo é incerto e derradeiro. Tudo é disperso, nada é inteiro. Ó Portugal, hoje és nevoeiro... É a Hora! FP |
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