A Mestre Tran
15 de Maio de 2008, quatro anos após o falecimento de Mestre Tran, quatro anos difíceis, primeiro de desorientação, depois de procura e agora de esperança no novo caminho…
Tão pouco tempo e já tão distante essa fatídica manhã em que perplexo recebi a notícia, não queria, não podia acreditar: era demasiado cedo, o caminho que de novo trilhávamos juntos, ainda estava muito fresco, ainda havia tanto a tratar, a organizar, a definir.
Vou-me impor um exercício de memória sobre estes últimos anos de convivência com Mestre Tran: numa reunião do corpo técnico da APVVD fomos informados que deixaríamos de ter Mestre Tran como Mestre, sucintamente explicando-se esta decisão pelo facto de Mestre Tran ter avançado com a criação de um novo estilo, o Hiep Khi Vo Dao, estilo que não se pretendia abraçar;
penosamente continuei, pois tinha muitas responsabilidades e compromissos, em especial com os meus alunos. Mas, o ambiente que se vivia era de paz podre. Sem a chama e a alma de Mestre Tran, o fardo era muito pesado. Sem estágios dignos desse nome, sem Mestre Tran para avalizar as graduações superiores, a graduação que me foi atribuída de 3.º Dang, soava a falso.
com a total ausência daquele que me galvanizava, perante a insistência de poucos em manter o estado das coisas, partimos para outra e em Assembleia Geral da APVVD, foi aprovada a extinção desta;
era tempo de nos organizarmos e numa primeira fase, todos os que faziam parte da APVVD, com excepção da APAM, começaram a reunir, a trabalhar e a organizar, a reaproximação com Mestre Tran;
foram tempos difíceis, mas foi possível chegar a um entendimento e nasceu informalmente o Movimento Hiep Khi Vo Dao Portugal, tendo assinado o memorando o CPAM (Porto), a DAO (Paços de Brandão), o STCP (Porto) e a VO DAO (Marco de Canaveses), tendo ficado de fora a ARMA (S. João da Madeira) e a SONG DAO (Santa Maria da Feira) culminando todos estes esforços num longo estágio em Dunquerque, que marcaria o reencontro com Mestre Tran;
voltamos ao “antigamente” com ânimo redobrado, produzindo um vasto conjunto de normas, procedimentos e programas. Os exames para Cinto Negro voltaram a ser da competência do Mestre que, que após, o que acabou por ser o único exame realizado nesta nova fase, na pessoa de Artur Rocha, confirmou a graduação de todos os cintos negros presentes;
o caminho estava iniciado, as sementes lançadas, mas não houve tempo e, na madrugada do dia 15 de Maio de 2004 parte deste mundo;
impossibilitado pela imprevisibilidade e pela distância não pude acompanhar esta última viagem de Mestre Tran e o luto foi (é) difícil. A magnífica homenagem, a propósito dos 25 anos do CPAM, que lhe prestamos com os alunos mais graduados vindos de Itália e de França foi brutal e pela primeira vez enquanto adulto desatei em pranto;
pranto que voltei a repetir aquando do compromisso de honra de Grande Mestre Phan Hoang, nas instalações do CPAM, que na nossa presença se comprometeu a honrar a memória de Mestre Tran e a ajudar-nos na consolidação do seu legado
e nasce porque anos de esforço por um compromisso entre os mais graduados do Hiep Khi Vo Dao, em França (Annemasse, Dunquerque e Nice) e Itália (Treviso), com vista a um entendimento que lançasse as bases de sustentação, para um futuro que se pretendia longo, não obtiveram resultado. Superiormente lideradas (da parte de Portugal, por José Manuel Mendonça, as reuniões revelaram-se infrutíferas, independentemente de se ter criado uma pseudo-estrutura que nunca veio a funcionar, primeiro por desavenças entre representantes franceses, depois por questões legais (em França o nome Hiep Khi Vo Dao teve dificuldades de registo) e finalmente pela auto-proclamação de um lider, que não tendo sido nomeado pelo Mestre e não tendo tido a capacidade de ganhar a confiança e o respeito dos restantes, procurou impor-se, para o que se fez valer da sua relação próxima com os filhos de Metre Tran.
Paços de Brandão, 15 de Maio de 2008
Filipe Leite de Sousa
4.º Dang - Mestre de Tran Su Vo Viet
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